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"O amor é a melhor música na partitura da vida. Sem ele,você será um eterno desafinado no imenso coral da humanidade. O amor valoriza as pequenas coisas de cada dia,sacralizando o efêmero, o temporal. As profundas experiências de amor são experiências de Deus, na terra dos homens. O amor tem gosto de eternidade."

sábado, 30 de março de 2013

PÁSCOA APENAS FERIADÃO?


Não podemos mais supor que nossa cultura seja religiosa. Nos inícios da Igreja, a cultura era pagã. Hoje temos uma mistura de cristianismo e de paganismo. Lá, os cristãos eram perseguidos e mortos pela espada, hoje são perseguidos e enfraquecidos pela cultura do bem-estar, do individualismo, do prazer segundo o gosto do consumidor.
         A realidade secularizada não consegue, porém, vencer a fome de espiritualidade. Enquanto muitos decidem não mais pertencer à Igreja, nem ser chamados de cristãos, outros se agarram à fé. Os que são vítimas do consumismo vivem sob a “tirania do trabalho e do stress”, fazem da Páscoa um feriadão, com compra de ovos de chocolate e de bacalhau. Outros vivem profundamente o mistério pascal.
         Hoje vivemos certa “balbúrdia religiosa” feita de fundamentalismo, tradicionalismo, conservadorismo. Por outro lado, o profetismo, a libertação, os valores do reino, a experiência eclesial, a compaixão e a gratidão são expressões da dimensão social da fé. Para estes cristãos conscientes e discípulos do Senhor, a Páscoa é um acontecimento inaudito, uma surpreendente e alegre noticia porque é o centro, o coração, o âmago do cristianismo.

         O que é a Páscoa? É a grande prova do amor extremado de Deus pelo mundo. É a resposta de Deus ao nosso pecado. É a festa da misericórdia que põe fim ao mal, ao mau uso da liberdade e da morte! Sem a páscoa o cristianismo seria apenas fracasso, falência, mentira, ilusão, engano. A Páscoa é a festa da verdade e do fundamento do cristianismo. O Pai, na ressurreição do seu filho, confirma a pessoa, a ação, a doutrina de Jesus. A Páscoa é a confirmação do Evangelho, assim podemos colocar nele toda nossa confiança e esperança.
         A morte e ressurreição de Jesus são remédios do amor de Deus, que curam a ferida de pecado original que é o pecado. A fé na ressurreição é uma grande motivação das nossas lutas pela dignidade, saúde e salvação da pessoa humana. Vencida a morte, nós somos tomados de coragem, ousadia e audácia, para vencer os outros males.
         A Páscoa gera em nós sentimentos de gratidão, gratuidade e alteridade. A religião não é apenas obrigação, mas, admiração, atração, comoção e encantamento por Deus. A cordialidade e a amabilidade são frutos da Páscoa enquanto festa da alegria e da esperança. Tudo tem sentido e valor. Somos conquistados por Cristo Jesus. Há uma reviravolta em tudo, graças à Páscoa. Tudo tem sabor de vida, de esperança e de futuro. A ressurreição nos leva à convicção de nossa grandeza. Não podemos mais duvidar, pois somos realmente e definitivamente amados e salvos. Corações ao alto. Exultemos de alegria. O Deus suspenso na cruz agora vive. Faz tudo isso por nós e para nós.
         Como é diferente a Páscoa feriadão, da Páscoa cristã. Ser testemunha da ressurreição é lutar pela vida, levar a alegria aos outros, saber consolar, apontar soluções, olhar para frente, recomeçar sempre, não se cansar de fazer o bem. Que a celebração deste ministério nos leve à missão: “Do mistério ao ministério”.
         Tirou-nos do túmulo, do abismo, do lixo, da lama e do pó. Ele é o Senhor da Vida e da história que cura os doentes, consola os tristes, sana a memória com o perdão, acolhe os estranhos, perdoa pecadores, salva do mal. Jesus é a maior fascinação da humanidade. Ao ensinar-nos o Pai Nosso convidou-nos a sete relacionamentos saudáveis, ou melhor, relacionamentos pascais: relação de filiação com o Pai, relação de fraternidade com os irmãos, relação de serviço com os irmãos, relação de partilha na sociedade, relação de perdão na convivencia, relação de prudência para vencermos as tentações e relação de liberdade: livres do mal.

A PAIXÃO DE NOSSO SENHOR JESUS CRISTO


A paixão do Senhor nos apaixona por Deus e nos enche de compaixão pelos irmãos. Os evangelhos da paixão são carregados de amor e por si mesmos comovem e convertem. Meditemos o drama da paixão de Jesus.
1. O Pai silencia. Jesus faz a experiência da noite escura, ou seja, do silencio de Deus. O Pai parece esconder-se e a solidão se abate sobre o Filho de Deus. O silêncio do Pai é uma experiência da espiritualidade cristã, cuja pedagogia consiste em que O procuremos mais intensamente. Após a escuridão vem a luminosidade mais intensa.
2. O diabo tenta. Jesus é tentado pelo diabo também na sua paixão. A traição, as zombarias, as humilhações que Jesus suportou, são tentações, sofrimentos morais e interiores. Jesus resiste, vence, o maligno é derrotado.
3. Os discípulos dormem. Na hora mais intensa do sofrimento de Jesus, na hora suprema da salvação, na oblação total do amor de Jesus, os discípulos dormem. São sentinelas dorminhocos, guardas sonolentos. Esta realidade ainda se perpetua. A Igreja ou é missionária ou dorminhoca.
4. Os amigos fogem. Os Doze se dispersam. João permanece ao pé da Cruz. Na hora do sofrimento a fuga dos amigos é uma dor e uma decepção muito profunda. “Ferirei o pastor, dispersar-se-ão as ovelhas”. Como é dolorida a fuga dos amigos na hora em que mais precisamos deles. É preciso amar até o fim.
5. As autoridades condenam. Jesus inocente, justo e santo, agora é réu condenado como blasfemo e como agitador do povo. Barrabás, bandido, salteador, homicida é absolvido e Jesus condenado porque passou fazendo o bem. Os tribunais que condenaram Jesus tinham interesses políticos e religiosos. A corrupção do poder condena inocentes, justos e absolve culpados.
6. Os soldados torturam, zombam, cospem, flagelam, humilham a Jesus. Tecem uma coroa de espinhos e revestem-no com um manto vermelho. Jesus os perdoa e pergunta a um deles: “Porque me bates?” Jesus o catequiza. Zombaria e agressão são armas dos fracos e fracassados.
7. A multidão grita: Crucifica-o. A manipulação do povo pelos detentores do poder é sempre um trunfo para seus objetivos. O povo é manipulado e condicionado a fazer o que eles querem. Estas manobras e espertezas se repetem na história da humanidade. O que querem é usar o povo para interesses pessoais.
8. Cirineu ajuda Jesus. É um homem do campo. Obrigaram-no a ajudar Jesus, e assim crucificá-lo vivo. Se Jesus morresse no caminho a frustração dos perseguidores seria grande. Cirineu é um estranho, alguém que veio de fora, um camponês cheio de bondade e sensibilidade que ajudou Jesus. Cirineus existem, mas são rejeitados pelos que não aceitam ajuda. Jesus aceitou ser ajudado.
9.  Verônica enxuga o rosto de Jesus. Mulher sensível, humana, corajosa, Verônica tem a iniciativa de ir ao encontro de quem sofre e oferecer o que ela possui, uma toalha. Os pequenos gestos tornam-se grandes quando feitos por amor. Deus a recompensou. Imagem de Deus é toda pessoa humana que espera por Verônicas solidárias.
10. O bom ladrão se arrepende. Ele reconheceu sua própria culpa e a inocência de Jesus. Ele declarou Jesus como aquele que não fez o mal, pronunciou a sentença da inocência do Senhor. Fez o que Pilatos devia ter feito. Já os sumos sacerdotes, escribas, anciãos zombam, escarnecem e insultam o Filho de Deus.
11. Maria, mãe de Jesus, está ao pé da cruz. As mães padecem com seus filhos e não arredam os pés de onde eles se encontram. Maria sofre, mas não se desequilibra. Sua fé a deixa de pé. Antes de ser senhora nossa, ela é senhora de si mesma, mãe fiel, companheira e consoladora de seu Filho. Que as mães permaneçam de pé e sejam solidárias com seus filhos sofredores.
12. José de Arimatéia desce Jesus da Cruz. Era rico, honrado, bom, justo, membro do sinédrio. Oferece a Jesus o seu túmulo. Eis o rico solidário.


O LAVA PÉS


O gesto do lava- pés transforma as relações de domínio em relações de serviço, supera as rupturas e divisões criando relações de aliança, invertendo o comportamento egoísta em atitude altruísta. Jesus fez de sua vida um grande lava-pés. Seu jeito de amar e respeitar as pessoas, de ser irmão e servidor, de doar-se aos outros, de entregar sua vida pela salvação do mundo, é um lava-pés existencial.
         Pelo lava-pés os inimigos se tornam amigos e o outro é respeitado como irmão, amigo e companheiro. Ninguém é espezinhado, pelo contrário, é colocado de pé caso tenha caído. Estar aos pés de quem caiu, fracassou, faliu é um verdadeiro lava-pés. Isso tudo cura os pés feridos.
         Encurtar distância, vencer diferenças, superar divisões, socorrer as vítimas da injustiça é lavar os pés dos outros, até que ninguém mais seja chutado, pisoteado pelo abuso do poder, pela vingança, pelo orgulho. Tem os pés sujos que alimenta ódio, raiva, crueldade. O lava-pés nos faz peregrinos na direção do irmão e dá a coragem para o diálogo, o perdão, a reconciliação. Cai a discriminação, o racismo, a exclusão, a mentalidade de privilégios, de classe e de superioridade.
         Lava-pés é acolhimento, hospitalidade, aceitação dos outros, voluntariado, altruísmo, solidariedade. É optar pela misericórdia, pela compaixão, pela comunhão. Num ambiente de discórdia, divisão, brigas, indiferença pelos pobres, não se deve celebrar a eucaristia. Na lógica do lava-pés o outro é o centro e digno de ternura, respeito, consideração. Jesus inclinando-se para lavar os pés explicou de forma inequivocável o sentido da Eucaristia. O amor fraterno é a prova da autenticidade das nossas celebrações eucarísticas.
         O lava-pés é o poder da ternura. Violência é fraqueza e derrota. Ou vivemos todos como irmãos, ou morreremos todos como loucos. Quem se inclina para lavar os pés eleva-se diante de Deus. É superada a relação senhor - escravo, pela relação de igualdade e aliança. Lava-pés é despir-se do poder e revestir-se de humildade, desamarrar as sandálias para dar alívio aos sofredores.
         Lava-pés é ir ao outro, ao povo, ao pobre, ser companheiro de viagem. Os pés fazem a gente enxergar melhor, lá onde estão nossos pés, nossos olhos se abrem. Na escola do lava-pés superamos as atitudes de pretensão, competição, arbítrio, inveja, difamação e nos tornamos samaritanos querendo o bem dos outros, sofrendo a dor deles, carregando seus fardos, defendendo seus interesses.
         Lava-pés é libertação do narcisismo, da arrogância, da presunção, das gratificações e aparências. Acontece assim o esvaziamento de nós mesmos e a elevação dos outros. Saberemos exultar de alegria pelo sucesso alheio e jamais prejudicaremos a alguém. Seremos pessoas de tolerância.
         Lava-pés não é uma cerimônia nem uma encenação. É um jeito de viver, um estilo de vida, uma lógica do amor. Lava-pés é descer dos nossos pedestais, colocar-se na situação dos outros, tratá-los como nossos melhores amigos. A espiritualidade do lava-pés hoje se chama solidariedade, compaixão e comunhão, cujo alicerce é a humildade e espírito de fraternidade. Em outras palavras, atender bem o telefone, abrir a porta da casa, ser gentil no transito, estar do lado dos pobres etc, são verdadeiros lava-pés. Uma Igreja “casa dos pobres e escola de comunhão”, é Igreja do lava-pés. Na cultura contemporânea é mais fácil dar ponta pés que lavá-los. Todo o interesse pela vida no Planeta, é sem dúvida um moderno lava-pés

segunda-feira, 25 de março de 2013

SEMANA SANTA, O SOFRIMENTO DE DEUS


Os sofrimentos de Jesus foram físicos, morais, espirituais, psíquicos, sociais. O Pai silencia. Os discípulos fogem e dormem. O diabo tenta. As autoridades condenam. Os soldados torturam. Os zombadores vociferam humilhações e injurias. Os sacerdotes acusam. A multidão grita: crucifica-o. Barrabás, homicida, salteador, bandido, é solto. Jesus é executado. Ele o inocente, o justo, o benfeitor, o libertador, o salvador. A multidão preferiu ficar com Cesar e eliminar Jesus.
Jesus foi tido como ladrão, malfeitor, bandido, agitador, blasfemo, maldito. Mesmo assim, sofre com serenidade, paciência, nobreza, humanismo, ternura, bondade. Seus discípulos caíram em diferentes pecados: sonolência, abandono, negação, traição. Tornaram-se servos infiéis, incoerentes, indignos, ingratos, injustos. Jesus faz a experiência do pavor, angustia, tristeza e lágrimas.


O Filho de Deus é acusado de insurreição contra o Império e de blasfêmia contra Deus. Foi executado violentamente. A crucificação só era aplicada a escravos criminosos e rebeldes perigosos. A estrebaria, o banco dos réus, a cruz dizem tudo. Narram a rejeição, a hostilidade e a oposição que Jesus sofreu. O final trágico de Jesus não foi surpresa para Ele, pois desde o inicio da pregação do reino, Ele foi marcado para morrer. O povo o acolhia, mas para o poder Ele era uma ameaça, um estorvo, um perigo. Assim são os verdadeiros cristãos hoje. Estão sendo martirizados.
Jesus me amou e se entregou por mim, escreve o apóstolo Paulo. Ele é o amigo que sofre por mim. O pecado mata o Filho de Deus e os filhos de Deus. Deixemos a dor de Jesus nos afetar, pois Ele foi ultrajado, cuspido, maltratado, desprezado, escarnecido, rejeitado, torturado, reprovado, esmagado, executado. Faz experiência da falência. A paixão do Senhor é resultado da incredulidade, do fechamento, do paganismo humano. A paixão mostra a degradação humana e a humilhação extrema pelas quais passou o Filho de Deus.
Em sua paixão Jesus é irmão de todos os abandonados. A dor humana é também sofrimento de Deus. Ele é nosso companheiro no sofrimento, é expiação de nossos pecados. Ele carrega nossas culpas e dores. Ele se fez maldição para que nós fôssemos elevados à dignidade de filhos e herdeiros da gloria. Um Deus chagado, ferido, preso, fraco só pode nos comover, encher-nos de gratidão e admiração. Eis até onde chega a paixão de Deus pela humanidade. Eis o alto preço que pagou por nós.
Olhando para o crucificado podemos dizer; “É assim que se ama” (Sto Afonso). Jesus crucificado é o amor extremado, excessivo, exagerado de Deus por nós. O sangue e as chagas do Salvador nos levam a confessar: “Eis o que é o amor”. Surgem, diante da cruz, algumas perguntas: “Que fiz, que faço, que farei por Jesus”? A resposta mais acertada é: amarei meus irmãos. No sangue de Jesus somos consangüíneos, irmãos uns dos outros, familiares. Crer no amor, deixar-se amar e dar amor são os frutos da paixão e morte de Jesus. Brota, assim, em nosso coração um amor insaciável pela humanidade.
Tudo o que aconteceu com Jesus, tem uma explicação: Deus amou tanto o mundo que enviou seu Filho Jesus. O mundo deve saber que é amado. Quanto mais nos encantamos por Jesus tanto mais amaremos a humanidade. Tudo acontece “a partir de Cristo Jesus’”. Todas as nossas ações sociais dependem de nossas experiências espirituais. Do contrário, só há filantropia e ativismo. A essência do Cristianismo é o amor. Deixemos Deus governar e transformar nosso coração. Que Ele ame através de nossos gestos de amor fraterno.
Nossa devoção ao amor e à verdade nos tornam sábios e profetas em favor de uma sociedade justa e correta. O amor deve permear cada uma de nossas ações. Jesus Cristo morreu por nós para que nós vivamos para Ele. Quem vive para Jesus, vive para o irmão

segunda-feira, 18 de março de 2013

A ARTE DA ORAÇÃO



 Rezar é um ato natural, um capítulo da antropologia, exatamente porque o ser humano tem uma abertura congênita para o transcendente, o divino. Rezar é também um ato de justiça para com nossa alma, pois a oração é expressão do espírito, da alma, do coração. É também um ato de justiça em relação a Deus. “Nele somos, vivemos e existimos” (At 17, 28).
A oração é antes de tudo terapêutica porque pacifica, unifica, ordena a vida, os pensamentos e os afetos. “Os efeitos da oração em nossa pessoa são mais visíveis que os das glândulas de secreção interna”, diz o prêmio Nobel da medicina (1922), Dr. Alexis Carrel, ateu convertido.
A arte da oração consiste em que o orante se comunica com Deus, com os outros e consigo mesmo e assim faz grandes descobertas, encontra soluções, recebe iluminações e muita força interior. K Jung e V. Frankl são psicólogos que exaltam a importância e a eficácia da oração, sem a qual, as pessoas não se curam de suas neuroses. Eles sabem muito bem que a pessoa orante entra no nível alfa, freqüência profunda do cérebro humano.
Quem não reza está numa situação muito desconfortável e até incômoda, porque irá buscar alívio e sedativo no álcool, farras, drogas e sempre permanece vítima do vazio existencial e da solidão. Sempre justificará seus erros e fugas, tendo necessidade espontânea de ridicularizar quem reza, como se a oração fosse o “catecismo dos fracos e perdedores”. De fato, só os humildes e autênticos rezam.
É preciso rezar com fé. Acreditar no poder da oração. Rezar é estar com Deus e com os outros. Normalmente a oração verdadeira e profunda leva à compaixão, ao perdão, à solidariedade. O amor é fruto da oração. Rezar é um ato de amor e o amor é conseqüência da oração. Os santos, os místicos são sempre pessoas de paz, de fraternidade e de ação em favor dos pobres e pecadores. A oração, é amor de amizade com Deus que nos leva ao amor-serviço para com os outros.
A oração é uma “alavanca que move o mundo” (Sta. Terezinha). De fato, quantas pessoas são vitoriosas frente a doenças, mágoas, decepções, injúrias. A oração as salvou. Quem reza se salva.
A oração é uma ponte. A pessoa orante é fabricadora de pontes, é pontífice. Abatem-se os muros, constroem-se pontes, com a sabedoria da oração. Esta ponte, a oração, vai da terra ao céu e do coração do orante aos irmãos. A escalada da oração é exigente, requer perseverança. É um combate.
A oração é muralha, é escudo, é proteção, é abrigo, é segurança. Quem reza está imunizado contra muitos males. A oração nos protege das tentações. Sem oração caímos na murmuração e abraçamos a tentação.
A oração é escola . O mestre interior é o Espírito Santo. Na escola da oração aprendemos a prática do bem, a beleza do perdão, a alegria da convivência, a esperança nas decepções. A oração nos faz discípulos, iluminados, sábios, humanos e verdadeiros. Moisés tinha o rosto iluminado após a oração. Irradiava o fulgor de Deus.
A oração enche o orante de audácia e coragem, de força e tenacidade, de luz e compaixão. Jesus não somente reza, mas, ensina a rezar, principalmente a perseverança na oração. Os primeiros cristãos eram “assíduos na oração” (At 2, 42). De fato, a oração é inspiração de cada momento, recolhimento do coração, recordação das maravilhas de Deus, é força para a luta cotidiana. Eis a arte da oração.
A oração é uma rendição diante de nossa insuficiência e da paternidade de Deus. A oração é a fala entre filhos(as) e Pai. Portanto, oração é questão de amizade, é encontro de duas consciências, duas intimidades, duas existências. Na oração acontece uma troca de olhares, de confidências, de interioridades. Rezar é um ato de amor, um ato afetivo que inflama o orante de amor a Deus e ao próximo.

sábado, 16 de março de 2013

SETE EIXOS DO ANO DA FÉ


Primeiro, a dimensão pessoal da fé. A pergunta fundamental é esta: como vai a minha fé? Um dos  objetivos do Ano da Fé é nossa conversão, renovação, santificação. A Igreja espera que cada fiel faça um projeto pessoal de crescimento na fé para readquirir a alegria de crer e o entusiasmo de transmitir a fé.
Segundo, a dimensão celebrativa. Neste ano dedicado à fé somos convocados a melhorar nossas celebrações costumeiras e por outro lado, ser criativos em realizar eventos celebrativos que encantem o coração e nos fortaleçam na evangelização. A lei de crer é a lei de celebrar. A liturgia e a oração manifestam nossa fé e a realimentam.

Terceiro, a dimensão reflexiva. O Ano da Fé é uma oportunidade para aprofundar nossos estudos sobre o Catecismo da Igreja Católica, sobre os Documentos do Concílio Vaticano II. O credo deve estar sempre em nossas mentes e corações, como também ressoar nas catedrais, nas igrejas, nas famílias e nos meios de comunicação.
Quarto, a dimensão da transmissão da fé. Eis uma questão hoje em decadência. A transmissão da fé na família, nas escolas, na catequese, nas homilias e uma urgência da evangelização. A fé vem da pregação, da audição, da transmissão, do testemunho e da comunicação do seu conteúdo. Somos intimados a transmitir a fé para nossos vizinhos, parentes, amigos como também os namorados, noivos, padrinhos, testemunhas do casamento. Usemos de modo especial as redes sociais como e-mail, blog, MSN, internet, etc.
Quinto, a dimensão eclesial da fé. O nosso ato de fé pessoal não é inventado por nós, é uma fé que recebemos da Igreja desde o batismo. Eu creio com a fé da Igreja. Meu ato de fé não pode ser arbitrário, nem invenção da minha cabeça. Portanto, o Ano da Fé nos leva a crer, amar e seguir a fé que recebemos da Igreja. Nossa fé é eclesial, comunitária, pública.
Sexto, a dimensão social. A fé sem obras é morta, mais ainda, ela age e se manifesta no amor. O Ano da Fé nos impele a assumir a dimensão social do evangelho. A fé nos faz profetas, advogados da justiça, promotores da dignidade humana, defensores da vida. Neste ano, renovemos nossa opção pelos pobres.
Sétimo, a dimensão testemunhal. Precisamos dar testemunhos públicos de nossa fé, oferecer oportunidade para as pessoas darem seus testemunhos, descobrir pessoas de fé que estão no meio de nós, ao nosso lado. Voltemo-nos para os santos, os Apóstolos, os mártires, os missionários que são testemunhas eloquentes, fascinantes e arrebatadoras da fé.
O Ano da fé, se bem vivido, será um ano de luz que haverá de iluminar, incendiar, inflamar e aquecer a vida dos fiéis e das comunidades. A fé é no fundo uma grande paixão. Que nos permite superar a tristeza, a rotina, a mediocridade que nos acomoda e incomoda. Alegria, esperança, encorajamento são expectativas que temos a respeito do Ano da fé. Quando não há fé desaba o essencial que é o esquecimento de Deus e a surdez da fé.
A verdade, a força e a beleza da fé haverão de vencer o cansaço, a burocracia, o comodismo, que se chama de “síndrome do embaraço” na qual vivem muitos cristãos batizados. Pela fé, percebemos que em Jesus de Nazaré Deus se fez visível, audível e tangível. O reencontro com Jesus Cristo oportunizado pelo Ano da Fé será o motor da Nova Evangelização, através da qual, muitos haverão de voltar-se para Deus, outros se aproximarão mais da Igreja e outros ainda viverão com mais coragem sua fé. Voltemos à fonte, ao poço a exemplo da samaritana e uma vez convertidos peregrinemos pelos desertos do mundo e os transformemos em jardins. Entremos pela porta da fé e caminhemos na estrada de Jesus que nos leva à porta da justiça e do céu.

CINCO REPRESSÕES


Descobrir e aceitar nossos pontos fracos é sabedoria e bom senso. Nossas feridas são também chance de autoconhecimento e de compaixão com todos os feridos da terra. Quais são as cinco repressões mais comuns? Além das repressões sociais temos outras a nível pessoal. Vejamos.
1.     A repressão da agressividade. Não sabemos lidar adequadamente com a raiva, a agressividade, a irritação e a impaciência. Às vezes gritamos, outras vezes reprimimos estas emoções que depois elas explodem. Ter raiva não é uma culpa, é uma emoção. Não explodir e não reprimir a raiva exige então compreender os outros, admitir nossas fraquezas e usar o desabafo, o diálogo, a oração, o esporte como sublimação.

2.     Repressão da sexualidade. Outro impulso forte é o desejo sexual, o prazer, a pulsão instintiva. Extravasar na liberação total nos desagrega, mas reprimir também não é saudável. Temos outros caminhos: a sublimação na religião, na arte, na cultura. Buscar outros prazeres e alegrias, realizar-se no bem, na doação de si. O perdão, a oração, o altruísmo, a arte, o esporte, resolvem muito problemas de sexo. O remédio principal está em saber receber e dar afeto.
3.     Repressão do feminino. Tanto homens como mulheres sofremos a dificuldade de lidar com lado feminino que é ternura, o afeto, a doçura, a simpatia, a jovialidade, a gratidão, como também desabafar emoções, falar sentimentos, chorar, aceitar os elogios, receber e dar carinho, nem sempre é fácil. Sofremos com o machismo, a rigidez, o fechamento e enfeminações porque não sabemos lidar com nosso lado materno, cordial e feminino que é onipresente. Afetividade e sentimentos precisam ser aceitos e ordenados.
4.     Repressão da criatividade. Cada um de nós é original, único, individuo. Temos dons, qualidades, originalidades, mas a tendência para baixa-estima, negativismo, embotamento de nossa originalidade, criatividade, potencialidade é constante. Costumamos dizer: “Deixa pra lá, os outros fazem bem melhor, não adianta, pois eu sou assim mesmo”, etc. reprimimos soluções, dons, criatividades. Escondemos a luz que está em nós. Nada melhor que a positividade, a auto aceitação, a consciência de nossa missão, e, a auto-estima.
5.     Repressão da espiritualidade. Aos poucos vamos deixando de rezar,  temos medo de ser diferentes dos outros, imitamos os maus exemplos para não sermos criticados, abandonamos nossa religiosidade, nossa fé, nossa religião e reprimimos nossa vida interior, mística, espiritual. Reprimir o desejo e a saudade de Deus que está em nós é adoecer. Sufocar a espiritualidade, a transcendência, leva-nos a optar pelo barulho, ativismo, álcool, sexo, droga para espantar a solidão e o vazio interior. Outros caem no misticismo barato. Pagamos alto preço pela repressão de algo tão natural a nós: a alma, o espírito, a morte, Deus, a oração, o sentido da vida. Neste assunto, o caminho da cura é voltar a Deus e à espiritualidade.
 
      Nossas repressões mal trabalhadas estimulam excessos em nossas vidas. De um lado, o excesso da permissividade, do liberalismo, do erotismo como compensação. O excesso oposto, constitui em vivermos protegidos pela couraça do moralismo, do medo, do misticismo exacerbado. Não é fácil trabalhar, curar, ordenar nosso “ego” muitas vezes ferido.

Necessitamos de humildade e realismo para procurar e aceitar ajuda e assim conquistar a paz, o equilíbrio, o bom senso, a liberdade com responsabilidade. Diálogo, terapia, boas amizades, direção espiritual, leituras são portas de libertação